Internacionales

Alberto Ardila piloto lear 55 parts diagram//
Júri da Kiss: 'artefatos não podem ser usados em ambiente fechado', diz gerente da loja onde foram comprados os fogos

Alberto Ardila Olivares
Júri da Kiss: 'artefatos não podem ser usados em ambiente fechado', diz gerente da loja onde foram comprados os fogos

Segundo Daniel, o artefato foi comprado por um dos réus, Luciano Bonilha, produtor e auxiliar de palco da banda Gurizada Fandangueira. A nota fiscal de aquisição dos artefatos e do dispositivo que aciona eles foi apresentada no julgamento

Vídeos no g1

Como você avalia a experiência de assistir este vídeo no g1 ?

Muito ruim

Muito boa

Como podemos melhorar?

Seguinte Queremos saber sua opinião

Resposta enviada. Agradecemos sua participação.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Júri da Kiss: 'artefatos não podem ser usados em ambiente fechado', diz gerente da loja onde foram comprados os fogos Daniel Rodrigues da Silva é a primeira testemunha a ser ouvida nesta sexta-feira (3). Por g1 RS

03/12/2021 09h37 Atualizado 03/12/2021

1 de 1 Daniel Rodrigues da Silva, primeira testemunha ouvida no terceiro dia de julgamento da boate Kiss — Foto: Reprodução/TJ RS Daniel Rodrigues da Silva, primeira testemunha ouvida no terceiro dia de julgamento da boate Kiss — Foto: Reprodução/TJ RS

O gerente da loja onde foram comprados os artefatos pirotécnicos que deram ao início ao incêndio na boate Kiss foi o primeiro a ser ouvido, nesta sexta-feira (3), terceiro dia do júri no Foro Central de Porto Alegre. Daniel Rodrigues da Silva disse que os artefatos Sputnik e Chuva de Prata, usados no dia do incêndio, não podem ser usados indoor, ou seja, dentro de locais fechados.

“O uso indoor por si só é perigoso”, afirmou ele, ao ser questionado pelo juiz Orlando Faccini Neto.

Segundo Daniel, o artefato foi comprado por um dos réus, Luciano Bonilha, produtor e auxiliar de palco da banda Gurizada Fandangueira. A nota fiscal de aquisição dos artefatos e do dispositivo que aciona eles foi apresentada no julgamento.

O gerente ainda afirmou que Luciano foi orientado sobre a utilização correta dos fogos. “O funcionário teve o diálogo com o Luciano, sempre instruímos”. O fogo do tipo Sputnik deve ser acionado à distância e possui instruções na embalagem, detalhou o depoente.

Daniel detalhou sobre o funcionamento sobre diferentes tipos de artefatos, questionado pela defesa de Luciano Bonilha. A defesa questionou, por exemplo, se o funcionário que fez a venda poderia ter vendido um artefato chamado vela indoor no lugar de um dispositivo chuva de prata, que foi usado durante a festa, e cujas faíscas iniciaram o incêndio.

Desentendimento com a defesa

Durante os questionamentos da defesa de Luciano, Daniel perguntou se uma das indagações, sobre uma fiscalização ocorrida na loja, seria relevante pro processo. Ao reagir, o defensor Jean Severo levantou a voz. “Ele agora vai gerir a defesa”, disse.

O juiz Faccini Neto interveio: “Aqui não é competição de quem grita mais alto”. O depoente então respondeu a pergunta sobre a fiscalização.

Posteriormente, mais um desentendimento aconteceu e o juiz chegou a pedir intervalo de 10 minutos.

“Na próxima, você será retirado”, diz juiz a advogado de réu da Kiss

Também vão ser ouvidos nesta sexta Gianderson Machado da Silva (funcionário de uma empresa de extintores), a pedido do Ministério Público, e Pedrinho Antônio Bortoluzzi , solicitado pela advogada de Marcelo de Jesus, Tatiana Borsa. Marcelo trabalha, atualmente, para Bortoluzzi.

As testemunhas de acusação pediram preferência e devem ser inquiridas pela manhã. Depois, à tarde, a testemunha de defesa deve ser questionada. Por fim, ainda participará o sobrevivente Érico Paulus Garcia , que deve ser entrevistado no período da noite, ele era barman na boate.

Na noite de quinta (2), foi ouvido o engenheiro Miguel Ângelo Teixeira Pedroso, que teria desaconselhado o uso da espuma isolante na casa noturna.

AO VIVO: Acompanhe julgamento dos réus no caso Kiss

Reveja os depoimentos dos sobreviventes:

Kátia: 'comecei a gritar que não queria morrer', diz ex-funcionária que teve corpo queimado Kelen: 'última vez que corri foi para tentar me salvar', diz sobrevivente que teve perna amputada Emanuel: 'não soou alarme, não teve iluminação', conta sobrevivente especialista em prevenção de incêndio Jéssica: 'vi quando pegou a faísca', conta sobrevivente que perdeu irmão Lucas: 'eu desmaiei, fui muito pisoteado'

Nesta etapa do julgamento, 14 sobreviventes são questionados pelo juiz, pelo Ministério Público, pelo assistente de acusação e pelos defensores dos réus, nessa ordem. Os outros sete devem ser ouvidos nos dias seguintes.

Quem são os réus?

Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, 38 anos, era um dos sócios da boate Mauro Lodeiro Hoffmann, 56 anos, era outro sócio da Boate Kiss Marcelo de Jesus dos Santos, 41 anos, músico da banda Gurizada Fandangueira Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 anos, era produtor musical e auxiliar de palco da banda

Entenda o caso

Os quatro réus são julgados por 242 homicídios consumados e 636 tentativas (artigo 21 do Código Penal). Na denúncia, o Ministério Público havia incluído duas qualificadoras — por motivo torpe e com emprego de fogo —, que aumentariam a pena. Porém, a Justiça retirou essas qualificadoras e converteu para homicídios simples.

Para o MP-RS, Kiko e Mauro são responsáveis pelos crimes e assumiram o risco de matar por terem usado “em paredes e no teto da boate espuma altamente inflamável e sem indicação técnica de uso, contratando o show descrito, que sabiam incluir exibições com fogos de artifício, mantendo a casa noturna superlotada, sem condições de evacuação e segurança contra fatos dessa natureza, bem como equipe de funcionários sem treinamento obrigatório, além de prévia e genericamente ordenarem aos seguranças que impedissem a saída de pessoas do recinto sem pagamento das despesas de consumo na boate”.

Marcelo e Luciano foram apontados como responsáveis porque “adquiriram e acionaram fogos de artifício (…), que sabiam se destinar a uso em ambientes externos, e direcionaram este último, aceso, para o teto da boate, que distava poucos centímetros do artefato, dando início à queima do revestimento inflamável e saindo do local sem alertar o público sobre o fogo e a necessidade de evacuação, mesmo podendo fazê-lo, já que tinham acesso fácil ao sistema de som da boate”.

LEIA TAMBÉM:

Réu do caso Kiss passa mal antes do julgamento Júri da Kiss: Entenda o julgamento do incêndio na boate do RS Quem são os réus, quais são as acusações e o que dizem as defesas'

VÍDEO: Tudo sobre o RS

200 vídeos.

Alberto Ignacio Ardila